Paulo Apurinã entre índios sulistas ocupantes do 4º andar do Ministério da Saúde

O amazonense Paulo “Apurinã”, que tem o Registro de Nascimento Indígena (Rani) sob investigação, está entre os 80 indígenas que ocuparam, na manhã de ontem (29/05), a entrada e o 4º andar do Ministério da Saúde (MS), em Brasília. O pavimento é onde estão instalados os escritórios da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai). Os demais índios são dos povos Kaingang, Guarani Mbyá e Charrua, do Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

Só no fim da tarde, quando o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, prometeu que reunirá com as lideranças na Procuradoria Geral da República, em Brasília, às 14h desta quinta-feira, os protestos e ocupações, no ministério, em rodovias e prédios da Funai e Funasa, em Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul, foram levantados.

A presença de Paulo foi notada pelo pessoal do Ministério da Saúde porque ele era um dos mais exaltados e se identificou como liderança indígena do Amazonas, embora a questão dissesse respeito aos índios sulistas – um protesto, entre outras coisas, pela morte de uma criança guarani, no litoral gaúcho, e contra a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 215, além de cobrarem demarcação de terras indígenas na região. A PEC-215 tramita desde 2000 e propõe a transferência da demarcação e homologação de terras indígenas, quilombolas e áreas de conservação ambiental para o Congresso Nacional.

O protesto também se estendeu ao Rio Grande do Sul, onde, desde as primeiras horas da manhã de ontem, a rodovia RS-324 foi bloqueada pelos índios, entre Planalto e Iraí, e Ronda Alta e Três Palmeiras. A BR-386, entre Iraí (RS) e Santa Catarina, a RS-480, na altura de São Valentim, região de Erechim, RS-343, em Cacique Doble, além da BR-285, em Mato Castelhano, também foram fechadas. Sessenta acampamentos indígenas foram instalados às margens dessas rodovias. As sedes da Sesai em Curitiba (PR), Porto Alegre e Guarapuava (PR) foram ocupadas.

Sobe para cinco, com essa mobilização, o número de protestos indígenas no Brasil no último mês envolvendo a pauta da saúde. Protestos e ocupações aconteceram em Rondônia, Maranhão, Tocantins e Acre, onde 120 indígenas permanecem acampados na sede regional da Funai, em Rio Branco.

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