A estrada Los Angeles-Las Vegas e a cidade que é o maior playground adulto do planeta

Após percorrer a Highway 1, de San Francisco a Los Angeles (ver posts anteriores), há duas boas opções de roteiro: continuar a viagem pela estrada até a cidade de San Diego, quase na fronteira com o México, ou deixar a costa e tomar o rumo de Las Vegas, a capital mundial do jogo e do divertimento. O enclave da luz e do brilho no meio do deserto. Ficamos com a segunda.

A viagem entre as duas cidades tem cerca de 420 quilômetros e a rodovia cruza o Deserto de Mojave, que no século 19 era a porta de entrada da Califórnia.

A estrada não tem muitos atrativos, principalmente para quem ficou mal acostumado com as belezas da Highway 1. A paisagem é árida, com poucas cidades no caminho, mas é justamente essa mudança que confere ao trajeto um aspecto exótico e dá ao viajante a sensação de estar indo para o nada. Essa viagem, aliás, eternizada em tantas produções de Hollywood, faz muita gente pegar a estrada em busca do desconhecido, atraída pela possibilidade de aventuras.

A estrada que liga Los Angeles a Las Vegas passa no meio do deserto de Mojave. É impossível percorrê-la e não lembrar dos filmes de Hollywood

Há poucas cidades ao longo da estrada.

Há poucas cidades ao longo da estrada.

Tem outlet no meio do caminho para quem quiser dar uma paradinha para compras.

Tem outlet no meio do caminho para quem quiser dar uma paradinha para compras.

 

 

 

Alguns trechos da estrada fazem parte da histórica Rota 66, imortalizada em vários filmes de Hollywood. Há placas indicativas.

Alguns trechos da estrada fazem parte da histórica Rota 66, imortalizada em vários filmes de Hollywood. Há placas indicativas.

A paisagem árida domina toda a estrada.

A paisagem árida domina toda a estrada.

O Nevada Center, boa opção para dar uma esticadinha nas pernas.

O Nevada Center, boa opção para dar uma esticadinha nas pernas.

 

 

A rua principal de Calico faz o visitante ter a impressão de entrar em um filme de faroeste, mesmo sempre tendo turistas

Calico, cidade fantasma do faroeste

No meio do caminho fica Calico, a Ghost Town (Cidade Fantasma). É um pequeno lugar que conseguiu guardar características dos tempos do bangue-bangue, seguindo estritamente o estereótipo dos filmes norte-americanos do gênero.

A sensação de estar em um set de filmagem, aliás, está presente desde que se passa pela entrada, onde é preciso pagar uma taxa de 6 dólares por pessoa. Você deixa o veículo no estacionamento e conhece a ‘cidade’, que se resume a uma única rua, a pé. Há o saloon, delegacia, acampamento indígena e até um trem que passa pelo interior da mina. Não falta, claro, o duelo do mocinho com bandidos mal encarados, numa encenação protagonizada por atores profissionais, caracterizados a rigor.

Cartaz de bandido procurado com o restaurante da cidade ao fundo.

Calico foi fundada em 1881 para a exploração de minas de prata e borax. Seu apogeu foi em 1887, quando chegou a ter uma população de 1,2 mil habitantes.

Com a queda do preço da prata, o vilarejo foi abandonado e muitas de suas construções foram mantidas intactas. Em 1966 foi doada para o Estado de San Bernardino, que a transformou em uma espécie de parque, hoje aberto à visitação.

Um estúdio permite o registro fotográfico ao lado de personagens do faroeste.

 

Las Vegas, onde muda a escala de tempo e de tamanho

De longe, vindo pela estrada, o emaranhado de prédios se destaca no horizonte. Ao entrar na cidade, o tamanho das construções impressiona. São os hotéis grandiosos, com até 5 mil apartamentos, que fazem a fama de Las Vegas e fazem tudo para se destacar à noite, recorrendo a imensos painéis de néon.

Las Vegas se ilumina à noite. Na foto, o Paris Hotel, com a reprodução da Torre Eiffel e o Arco do Triunfo, símbolos franceses, numa escala que permite a existência de restaurante cinco estrelas no alto da torre.

Os hotéis são um grande parque de diversões para adultos e não é a toa que a cidade é conhecida como a Disney dos marmanjos. Cada um tem um estilo próprio e muitos ‘copiam’ cidades como Paris (Paris Hotel), Veneza (Vennetian Hotel), Roma (Caesar Hotel) e Nova York (New York, New York), destacando atrações turísticas e características arquitetônicas de cada uma delas.

O Bellagio, hotel famoso pelo show das águas, que ‘dançam’ ao ritmo de músicas variadas. O lago é imenso e o hotel, com seus 3.933 quartos, idem

O teto do hall do Hotel Bellagio é decorado com mais de duas mil flores de vidro coloridos.

Como a diversão é para gente grande, o Paris, por exemplo, tem uma Torre Eiffel do tamanho da original e também com restaurante 5 estrelas no topo. No Vennetian destacam-se as gôndolas. E a Estátua da Liberdade domina o cenário no New York.

Dentro dos hotéis há grande variedade de lojas

Dentro, os cassinos, com suas roletas, mesas de pôquer e caça-níqueis, funcionam 24 horas, instalados em um ambiente no qual não se sabe se é dia ou noite.

Os ambientes dos cassinos são preparados para que noite ou dia deixe de ser um item importante na vida do jogador

Além dos cassinos, os hotéis oferecem áreas comerciais, com muitas lojas de luxo, Louis Vuitton e Prada à frente, além de danceterias, bares e restaurantes de primeira.

Os melhores hotéis estão concentrados na Trip, que tem um movimento alucinante de pessoas. Tudo mantém o movimento 24 horas por dia. Para quem não tem ‘bala’ para as lojas de alto luxo dos hotéis, há dois outlets Premium na cidade – se você estiver sem carro, o transporte público deixa na porta -, com a mesma variedade de Miami e Orlando, além de todas as grandes lojas americanas, como Macy’s, Best Buy e Babies R’us nas proximidades.

Há várias opções de compras na cidade, que tem shoppings, outlets e as grandes lojas da moda internacional

A oferta de diversão é grande, mesmo para aqueles que não se deixam seduzir pelo jogo. A cidade tem uma variedade incrível de atrações, com destaque para as apresentações do Cirque du Soleil, musicais, shows dos maiores astros internacionais da música pop e espetáculos de magia. Celine Dion, Elton John e David Coperfield têm lugar cativo nos teatros localizados dentro dos cassinos.

 

Show de gastronomia

Cassinos, festas e shows? A noite de Vegas tem mais.

A cidade tem restaurantes de quase todos os grandes chefs do mundo inteiro. A oferta é tão avantajada que o visitante sai de lá com a sensação de que o norte-americano adora alta gastronomia e não está nem aí para hamburgers e hot-dogs.

O L’Atelier, do chef francês Joel Robuchon, no hotel MGM Grand, por exemplo, é uma verdadeira viagem degustativa. Com vários restaurantes espalhados pelo mundo (Las Vegas, Londres, Paris, Mônaco, Tóquio, Hong Kong, Macau, Tapei e Singapura), Robuchon tem um total de 28 estrelas acumuladas do Guia Michelin, que é referência mundial dos melhores restaurantes, classificando-os com estrelas que vão de 1 a 3.

O balcão do L’Atelier, de onde é possível acompanhar o preparo dos pratos.

Para os casais, o restaurante oferece cadeiras no balcão, de frente para a cozinha, com direito a acompanhar todo o preparo dos pratos. É curioso ver a rapidez com que os chefs trabalham e a meticulosidade na apresentação dos mesmos. Tudo sai impecável e só é entregue ao garçom depois do aval de um dos surchefs, profissionais que são auxiliares diretos e da confiança máxima do chef principal.

Os pratos de Joel Robuchon são verdadeiras obras de arte e os chefs utilizam pinças minúsculas, como cirurgiões, para deixá-los com essa aparência

O menu degustação não tem pratos fixos e a única garantia é da qualidade. Na foto, uma entrada de ostras.

O ideal é fazer o menu-degustação, que oferece uma sequência de pratos que permitem ter um noção mais completa da arte gastronômica do chef. No L’Atelier, por algo em torno de US$ 220 por pessoa, o cliente tem direito a sete pratos e à harmonização com vinhos.  É o equivalente a um ingresso para uma apresentação do Cirque du Soleil.

Os pratos são criativos e com uma apresentação impecável. Se é verdade que as pessoas comem com os olhos, eis aí um prato cheio

É um ovo? É uma pizza? Pode ser tudo isso, mas é o toque do chef que faz a transição do trivial para a alta gastronomia. E não é só uma questão de visual porque há diferença sim no sabor.

Um Saint Pieter, peixe que tem um sabor suave e é um dos preferidos na alta gastronomia por combinar com molhos e condimentos

Do Maná bíblicos, quando os judeus atravessavam o deserto, a esse menu, a codorna é um sucesso

Sobremesa 1, gelada, sempre caprichando na apresentação

Chocolate, em diversas formas, com uma decoração bem colorida

Há os que, apaixonados pelo jogo, perdem a noção do dia e da hora nas mesas de Las Vegas. Quem não gosta, porém, ocupará o tempo na cidade entre shows, compras, vinhos e comida de boa qualidade. O certo é que todos terão dificuldade em escapar da sensação de que a cidade merece uma nova viagem.

 

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5 comentários para “A estrada Los Angeles-Las Vegas e a cidade que é o maior playground adulto do planeta

  1. ozeneide casanova disse:

    Woww… so nice.. Enjoy it.

  2. tiago disse:

    Las vega esta totalmente abandonada, quem quizer saber mais, veja os videos do irmao rubens no youtube.

  3. Carolina disse:

    Marcos,
    estou planejando a route 66, e gostaria de saber pq vc optou pela highway 1 e nao pela tradicional!
    obrigada pela ajuda!

    RESPOSTA:
    Carolina,
    A Highway 1 é uma rota panorâmica, cujo trecho mais famoso é o que liga San Francisco a Los Angeles. Veja no blog posts sobre essa viagem. Na viagem Los Angeles-Las Vegas optamos pela Interstate 15, que corta o Deserto de Mojave, por ser mais rápida. Por essa rodovia, há apenas um pequeno trecho da Rota 66, se não me engano, quando se atravessa a cidade de Barstow.

  4. A Highway é um sonho de todo turista que conhece a história do Oeste.

  5. carlão disse:

    Olá. Queria saber se há alguns pontos de parada. Vou fazer esse trecho com criança, e tenho que saber com antecedência para me programar. Obrigado.

    RESPOSTA
    Victorville e Barstow são duas cidades no meio do caminho para Las Vegas.

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