Vazamento de petróleo no Peru, denunciado por Leonardo DiCaprio, chega ao Marañon, que forma o rio Amazonas

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Ribeirinhos foram afetados ao longo de vários rios da Amazônia Peruana

O governo do Peru decretou, neste domingo (28/02), Estado de Emergência em 16 comunidades da Amazônia. Todas foram afetadas por vazamentos de óleo na região de Loreto, no Nordeste do país, ocorridos em 25/01 e 04/02. O ministro da Saúde do Peru, Aníbal Velásquez, já havia declarado emergência sanitária.

O desastre ecológico, ocorrido no Oleoduto Norperuano, foi denunciado hoje (29/02) por Leonardo DiCaprio, ganhador do Oscar de melhor ator na cerimônia realizada domingo. Ele pediu aos seguidores do FaceBook e Twitter que participem da coleta de assinaturas da organização americana Amazon Watch, para forçar o primeiro-ministro peruano, Pedro Cateriano, a proteger as comunidades locais e indígenas afetadas pelos vazamentos.

O óleo chegou ao rio Mayuriaga, a 13 quilômetros do ponto onde aconteceu o escape, segundo relato de testemunhas, alcançando o rio Morona, afluente do Marañón, um dos que formam o Amazonas.

A petrolífera pública Petroperú, que opera o Oleoduto Norperuano, não quantificou os barris perdidos em seu relatório de emergência ambiental, apresentado ao Organismo de Avaliação e Fiscalização Ambiental (Oefa). O ministro Velásquez afirmou que coordenou com o Ministério da Habitação o envio à região de 1,5 mil profissionais com materiais para tratar, purificar e armazenar a água.

O governador de Loreto, Fernando Meléndez, declarou que o vazamento de petróleo provocou um “massacre ambiental” e acusou a Petroperú de ser a responsável pelo problema e de negligência.

No vazamento similar de 25 de janeiro, à altura do quilômetro 441 do mesmo oleoduto, em Villa Hermosa, também na Amazônia Peruana, de 2 mil a 3 mil barris de petróleo alcançaram o rio Inayo e depois o rio Chiriaco. O Oleoduto Norperuano transporta o petróleo extraído na floresta até o terminal portuário de Bayóvar, no Oceano Pacífico, ao longo de 854 quilômetros de encanamentos, com cinco estações que podem armazenar até 3,5 milhões de barris no total.

DiCaprio, ao receber a estatueta de Hollywood, disse em seu discurso que “a mudança climática é algo real, a ameaça mais urgente enfrentada por nossa espécie”, e estimulou os líderes políticos a atuar “em nome da humanidade, dos povos indígenas e das milhões de pessoas afetadas”.

Os dois vazamentos ocorridos na Amazônia Peruana deixaram 250 feridos, em sua maioria por cefaleias causadas pelo forte cheiro do petróleo, e 5,7 mil afetados, segundo os últimos balanços apresentados pelo Instituto Nacional de Defesa Civil (Indeci).

A Petroperú recebeu multa de US$ 3,59 milhões, imposta pelo Organismo Supervisor do Investimento em Energia e Mineração (Osinergmin) por não manter a integridade do oleoduto.

Um grupo defensor dos direitos dos indígenas informou que desde 2010 ocorreram 11 vazamentos de petróleo na Amazônia Peruana. O oleoduto foi construído na década de 1970 e os vazamentos ocorreram por deficiência na infraestrutura.

 

Amazonas

O deputado estadual Luiz Castro (PPS) enviou expediente ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e da Sustentabilidade (Ibama) e ao Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), indagando sobre as medidas de vigilância e proteção na fronteira brasileira do Estado com o Peru. Ele reconheceu que o desastre ocorreu distante do rio Amazonas, mas disse que o alerta é necessário.

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