A velha política, o impeachment e o Rock in Rio em Manaus

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O Rock in Rio é um dos maiores eventos de massa do planeta

O impeachment da presidente Dilma Rousseff está às portas. Lula-Dilma vão sendo anulados pela dupla Eduardo Cunha-Michel Temer, o que coloca o Brasil num incômodo zero a zero de ética e zelo moral. Até os mais radicais adversários já entendem o impasse e defendem eleições gerais, embora, claro, como última alternativa depois de fracassarem todas as tentativas deles de fisgar o poder. A velha política, num clima assim, conduzida pelo emprego pessoal ou pela cartilha partidária do Século XIX, leva uma surra da opinião pública. É hora de pensar no Amazonas do dia seguinte, que emerge com preocupação. Basta ver a qualidade das críticas que estão sendo feitas a um evento do porte do Amazônia Live: Rock in Rio.

Manaus foi escolhida para sediar a promoção. Pinçada entre tantos locais que Roberto Medina e seus pares poderiam indicar. Trata-se de iniciativa privada que, até 2019, almeja plantar 400 hectares de floresta, arborizando Manaus e fazendo a compensação ambiental pelas diversas edições do Rock in Rio.

O Amazônia Live custará R$ 28 milhões. Os críticos oportunistas bradam aos quatro ventos que o prefeito de Manaus, Arthur Virgílio, poderia usar esse dinheiro para saúde, educação, segurança, tapa-buracos e sei lá mais o quê.

Fingem ignorar, sem pudor, que o evento é privado, isto é, bancado por patrocinadores, sem investimento do poder público. Os tais R$ 28 milhões, por outro lado, não são suficientes para resolver os problemas indicados.

Qual é a ótica da velha política ao adotar atitude, aparentemente crítica, mas na verdade oportunista e que logo se desmancha diante dos fatos? Aposta no resíduo de dano na imagem do prefeito Arthur Virgílio Neto, candidato à reeleição.

O prefeito, por seu turno, posou ao lado dos promotores, no anúncio do evento, com a máquina da Prefeitura trabalhando para divulgar fotos e vídeos que o associam à promoção. Faturou expressivo quinhão de agenda positiva, por conta do necessário apoio que a Prefeitura deverá oferecer à realização.

O mercado do marketing funciona assim. Manaus ganha visibilidade internacional, em nível próximo ao da Copa do Mundo e da Olimpíada. Em troca, Governo do Estado e Prefeitura entram com segurança, limpeza pública, organização do trânsito, ambulâncias etc. Nada muito diferente do que fazem, rotineiramente, em eventos de massa que se acumulam no Sambódromo, Arena da Amazônia e outros pontos da capital.

O que se espera da nova política, do político moderno, capaz de oferecer as alternativas que a vida atual exige, crise ameaçando a todos? Soluções criativas. Caminhos diferentes. Altivez. Postura. Combate à corrupção e aos corruptos. Coragem para mirar o interesse público, até mesmo além de partidos e aliados, sabendo que o resultado talvez não venha no curtíssimo prazo, na eleição 2016, mas se dará na salutar melhoria do ambiente político.

A desinformação – como a de ignorar que o Amazônia Live é privado, não público – também é perigosa. Confunde-se com a mentira, no momento em que os políticos estão tão desacreditados. Ou remete à mente simplória, incapaz de fazer frente aos grandes problemas e só capaz de mirar por baixo, buscando uma chance de chutar as canelas do adversário da vez.

Evento do porte do Amazônia Live: Rock in Rio, como a Copa do Mundo e a Olimpíada, pode fazer diferença. O povo manauara entendeu isso e, com a simpatia e o acolhimento característicos do amazonense, transformou Manaus no destino mais lembrado por quem veio prestigiar os jogos.

Há muito por fazer. Não faltam motivos para críticas da oposição. A opinião pública clama por mudança. Um bom começo é o político entender a enorme rejeição a qualquer coisa que cheire a autoritarismo ou ausência de sinceridade de propósitos. O País está em reforma e o “novo” com velhas práticas também vai acabar no lixo da história.

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