Quinta-feira, 26 de abril de 2018

Cortes ‘encolheram’ de R$ 500 milhões para R$ 350 milhões. Entenda como a ‘guerra’ Melo x Braga pode ser uma cortina de fumaça

melo x braga x midiaO governador José Melo anunciou redução de serviços oferecidos pelo Governo do Amazonas, especialmente nas áreas de saúde e cultura, para economizar R$ 500 milhões. Nesta terça (07/06), na Assembleia Legislativa, secretários estaduais foram explicar o que chamam de “modernização” no sistema estadual de saúde e soltaram uma informação diferente: os cortes vão gerar economia de R$ 350 milhões, R$ 150 milhões a menos que o anunciado originalmente por Melo. Apenas.

O governador, por outro lado, está empenhado numa guerra cada vez mais personificada na figura do senador Eduardo Braga, oponente da eleição de 2014 e autor de quase 30 processos em curso contra ele e seu mandato, no Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM) e até no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Sai matéria no Fantástico, requentando a “Operação Quintessência” da Polícia Federal, foi Braga quem pagou. Sai a repercussão na TV Amazonas, é resultado de contrato feito por Braga, quando ministro das Minas e Energia, com um genro do dono da Casa, o empresário Phelippe Daou. Comunitários protestam pelo fechamento de Caic’s, Caimi’s, UPA’s e SPA’s, foi Braga quem mandou. A Seduc é invadida por militantes do PCdoB, figuras carimbadas à frente, tudo manobra do senador.

Pode até ser. Essas versões, porém, são anabolizadas nas mídias sociais e em espaços que não se engajam em campanhas desse tipo sem um bom naco de verbas públicas.

A manobra, simplória, é surrada. Não consegue mexer no foco da verdadeira guerra que está em curso: o comando do Amazonas, o posto de governador, a posição hoje ocupada por José Melo.

O verdadeiro “público alvo” é o STJ e o julgamento da parte penal e cível da “Operação Quintessência”, que analisa se coronéis e outros oficiais da PM cometeram crimes na eleição de 2014 e se José Melo ordenou tais ações ou foi beneficiado por elas, tornando-se parte das mesmas. O outro front é o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que tem nas mãos a decisão final sobre a cassação de Melo imposta pelo TRE-AM.

Não há dúvida do desastre no anúncio da “modernização” feito pelo governador. Ninguém faz tal estardalhaço, convocando coletiva de imprensa e tirando do trabalho, na hora do expediente (já reduzido), todos os secretários estaduais apenas para servir de paisagem para a antevisão do caos – que ficou patente nos dias seguintes e se estende cada vez mais. O deputado estadual Sabá Reis, aliado de José Melo, destacou esse “erro de marketing” na sessão da Assembleia Legislativa desta terça.

Depois vieram os ajustes, como o recuo no fechamento do Instituto Cardoso Fontes, única unidade especializada no combate à tuberculose, justo quando o Amazonas aparece como recordista nacional da doença. Houve outros. Eles dão a impressão de que o tal “estudo demorado e especializado” não teve tanto apuro assim.

Eduardo Braga já percebeu que a conjuntura brasileira e amazonense arrasta todos, ele e Melo inclusive, para o limbo. Por isso reapareceu baixando o tom, convocando ao diálogo e oferecendo ajuda até ao adversário mais duro, o prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto. Até agora, no entanto, nada fez de concreto para provar essa boa vontade.

Veja o quadro de funcionários no Polo Industrial de Manaus, entre temporários e efetivos:

2013 – 125 mil + 8 mil = 133 mil

2014 – 120 mil + 5 mil = 125 mil

2015 – 105 mil + 0 = 105 mil

Primeiro quadrimestre 2016 – 81.982 funcionários.

É alarmante? Sim. Mas não são o desespero e a desesperança que resolverão o problema. Tampouco ficar artificializando brigas paroquianas para tentar esconder a questão de fundo, a falta de expertise para apontar alternativas.

É hora de espírito público, criatividade, sinceridade de propósitos e altruísmo na gestão coletiva. O leite derramou. Segura a vaca que ela está correndo pro brejo.

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6 comentários para “Cortes ‘encolheram’ de R$ 500 milhões para R$ 350 milhões. Entenda como a ‘guerra’ Melo x Braga pode ser uma cortina de fumaça

  1. Marlon disse:

    Esse caderudo junto com o Melo São todos corruptos e o caderudo ta doido pra voltar a mamar nas tetas do Estado

  2. Antonio Barbosa disse:

    Muito boa sua matéria Marcos Santos. Parabéns, a vaca já está no brejo, só falta atolar o pescoço.

  3. Carlos marinho disse:

    SÓ GOSTARIA DE PERGUNTAR.
    NA PRÓXIMA ELEIÇÃO VAMOS VOTAR EM QUEM.POIS OS NOSSOS POLÍTICOS E UMA TRISTEZA.OS DEPUTADOS ESTADUAIS.FEDERAIS.SENADORES.DEXEI POR ÚLTIMO POR SEREM OS QUE DEVERIA IR ÀS RUAS E PEDIR O AFASTAMENTO DESTE SENHOR JOSÉ MELO.O PIOR GOVERNO DO AMAZONAS..
    EM OUTUBRO ACHO QUE NÃO VAI TER ELEIÇÃO EM MANAUS.POIS NÃO TEM POLÍTICO.
    AS FICHAS SÃO SUJAS.CADA DIA MAS

  4. leo figueredo disse:

    Marcos… o vinho entornou???

  5. Marcos Santos, a Ordem e Progresso, no nosso pais, está tão desacreditada, que a Matemática, deixou de ser Ciência exata.

  6. Paulo Medeiros disse:

    Excelente opinião do blog…..Lúcida e precisa, sem temor….Parabéns….

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