Entenda a briga pela passagem de ônibus, com posições da Prefeitura, empresários, trabalhadores e Judiciário

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O prefeito Arthur Virgílio foi pessoalmente aos ônibus, após conseguir a revocação do reajuste da passagem, retirar cartazes que os empresários haviam colocado nos veículos para desafiá-lo. Foto: Mário Oliveira/ Semcom/ Divulgação

Há uma disputa aberta em torno do preço da passagem de ônibus em Manaus. Hoje, o valor está em R$ 3,15, dos quais R$ 0,15 são subsidiados pela Prefeitura e o Governo do Estado. O usuário paga R$ 3,00. A questão envolve o prefeito Arthur Virgílio, determinado a manter o preço atual, os empresários do Sindicato das Empresas do Transporte Coletivo do Amazonas (Sinetram), que foram à Justiça pelo reajuste, os trabalhadores, em vias de dissídio, e até o Judiciário, responsável pelas últimas idas e vindas no preço e pelo julgamento do contencioso Sinetram-motoristas e cobradores. O panavueiro é grande.

 

Prefeitura

O prefeito Arthur Virgílio tem pela frente a disputa da reeleição. É essa a questão de fundo da discussão em torno da passagem de ônibus. Os empresários demonstram insatisfação com as exigências que ele tem feito e jogam pesado, sabendo que o reajuste derruba a imagem do mandatário. A essa altura eles, certamente, já têm um candidato alternativo para apoiar, em busca da moleza que Arthur não tem oferecido.

 

Sinetram

O Sinetram judicializou o problema da passagem, afirmando ter estudos da Ernst & Young que aponta o preço de R$ 3,54. Esse estudo nunca foi publicado, mas embasa a ação que tramita na 2ª Câmara do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM). O contraditório é que, para pressionar o prefeito, os empresários têm piorado o serviço em Manaus. O usuário paga um “barato” que fica caro, diante do ônibus velho, quebrando toda hora ou que demora a chegar.

 

Judiciário

A Prefeitura tem conseguido derrubar decisões do TJAM porque alega não ter a oportunidade de mostrar estudos sobre investimentos no setor de transporte. Eles reduzem o impacto do reajuste de preços, alegado pelos empresários. Espera-se que os lados tenham logo o direito à ampla defesa e contraditório para levar a ponto final a disputa.

 

Rodoviários

Dominado pelos irmãos Oliveira, um dos quais, Jaildo dos Rodoviários, é candidato a vereador pelo PCdoB, adversário do prefeito Arthur Virgílio, o Sindicato dos Rodoviários também tem papel importante na questão da passagem. Realiza paralisações quase diárias, empresa por empresa, para pressionar o prefeito a reajustar o preço.

 

Rodoviários (2)

Os rodoviários agem, aparentemente, contra as empresas, mas, na prática, ajudam os empresários no pleito de reajustar o preço. Eles ganharam na Justiça o direito a 8% de reajuste, mas o Sinetram se nega a pagar antes do reajuste da passagem. E vão aumentando as paralisações, com o usuário perdendo tempo e emprego, ambos preciosos nesse tempo de crise.

 

SMTU

É incrível a falta de habilidade com a mídia do presidente da Superintendência Municipal de Transportes Urbanos (SMTU), Pedro Carvalho. No auge da polêmica sobre o preço da passagem ele deu declaração afirmando que o reajuste é inevitável, que é preciso pensar em formas de subsídio etc.

 

Prefeito x Sinetram

A disputa entre Arthur Virgílio e Sinetram é positiva para o usuário. Ruim é quando esses dois lados, Prefeitura e empresários, têm perfeito entendimento. Aí a sociedade precisa botar as barbas de molho.

 

Movimento Passe Livre

Onde está o Movimento Passe Livre, aquele que levou o Brasil às ruas quando o prefeito petista de São Paulo, Fernando Haddad, reajustou o preço da passagem de ônibus? A rua precisa falar ou está esperando a passagem reajustar para poder protestar? A hora é agora.

 

Rocam

É fato que o programa Ronda nos Bairros acabou. As viaturas, a ronda ostensiva que se via antes, sumiram. Por que então ao declarar que isso ocorreu, o fim do programa, o novo comandante da PM, coronel Augusto Sérgio Farias, foi obrigado a se desmentir? Porque o Ronda no Bairro é objeto de uma exigência, feita pelo financiador original, o Banco Mundial (Bird): tem que ser política pública, política de Governo e não de governador. Uma fiscalização severa mostraria que o programa sumiu e isso prejudicaria o crédito internacional do Estado. Como se não estivesse faltando mais nada.

 

A cela de Adail

Não são apenas os celulares, proibidos, que apareceram na cela compartilhada pelo ex-prefeito Adail Pinheiro (Coari) e o ainda prefeito Xinaik Medeiros (Iranduba), as irregularidades nesse cárcere. Adail deixou de ser prefeito e de ter direito a foro privilegiado. Não tem curso superior e já foi condenado em primeira instância, com manutenção da prisão. Por que continua no Comando de Policiamento Especializado (CPE) da PM? Já deveria estar em cela comum.

 

Amazonas Energia

Se a Amazonas Energia não repassa ao Governo do Amazonas os 25% que cobra na energia de ICMS, não paga o combustível para a Petrobrás e não oferece o reajuste que os trabalhadores estão pedindo, para onde vai o dinheiro que a empresa recebe do usuário?

 

Marcelo nas ruas

marcelo-panfleto

Marcelo Ramos foi pessoalmente supervisionar a entrega de panfletos

Pré-candidato a prefeito de Manaus, o ex-deputado estadual Marcelo Ramos está nas ruas. Distribuiu panfletos nesta segunda (04/07), na Bola do Coroado, com base em seu slogan, “Manaus que a gente quer”. Todos os adversários recolheram cópias dos panfletos, fotos e vídeos da atividade. A legislação eleitoral não autoriza campanha nesta época, mas sofreu reforma que permite manifestar opinião, sem pedir voto. Marcelo, que é advogado, vá se preparando porque vem contestação jurídica por aí.

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