Sexta-feira, 20 de abril de 2018

O primeiro debate, a influência do ‘todos contra o Arthur’ e Melo no 2º Turno

debate

Os candidatos não conseguiram apresentar nenhum diferencial significativo no primeiro debate. Foto: José Rodrigues

A eleição municipal começa a entrar na vida do manauara. A Band, nesta segunda (22/08), realizou o primeiro debate, onde foi possível perceber os matizes da postura eleitoral dos candidatos e a tônica parece mesmo ser a de “todos contra o Arthur”. Paralelo a isso, durante a “inauguração” de um equipamento da Fundação Cecon, o governador José Melo vaticinou: “No 2º Turno, me aguardem!”.

Há várias vertentes para a enxurrada de críticas despejada pelos candidatos contra o prefeito Arthur Virgílio, candidato à reeleição.

A primeira, óbvia, é que, se o prefeito não montar uma campanha muito bem estruturada, a avalanche de problemas a serem superlativados pelos concorrentes o fará sucumbir. Na política, como no vôlei, há momentos em que quando a bola vai certinha, na marca, o atacante dificilmente perde o ponto.

A segunda é o risco de ocorrer o fenômeno chamado no automobilismo de “over drive”, quando o piloto exige do carro mais do que ele pode dar e acaba provocando quebras. Se a dose das críticas passar do ponto, o eleitor pode ficar confuso quanto ao depositário do descontentamento do prefeito. Com os discursos muito parecidos, centrados nas críticas, tanto faz quem receba o voto.

Os candidatos podem, também, não apresentar críticas substanciais e receber respostas convincentes do ocupante da cadeira de prefeito, acabando por fortalecê-lo.

No debate da Band, com a ausência de Arthur – que alegou um oportuno encontro, no fim da tarde, em Brasília, com o ministro das Cidades, Bruno Araújo (PSDB-PE) –, o discurso ficou muito parecido e mesmo quem tinha obrigação profissional de vê-lo, teve dificuldade. Contribuiu, e muito!, o fato de haver seis candidatos disputando atenção.

Hissa mostrou que não vai levar desaforo para casa e respondeu com dureza a Henrique Oliveira, quando este lembrou que ele foi demitido da Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf), por Arthur, no programa Manhã de Notícias, da Rádio Tiradentes. Henrique, por sua vez, repetiu que seu programa “é o mesmo da última eleição” e teve dificuldade em acusar o prefeito de responsável pela insegurança em Manaus, sendo ele próprio vice-governador.

Marcelo Ramos atacou Arthur, mas procurou bater na que vem utilizando como principal proposta de campanha: a volta do Médico da Família, que alavancou a prefeitura de Alfredo Nascimento, com as tais “casinhas da família” – um fenômeno que Amazonino Mendes denunciou como “puro marketing”, na ocasião.

Silas Câmara foi o único que procurou crítica mais direta a um dos pontos cruciais da campanha, as alianças. Só para lembrar, Arthur, que era aliado do governador José Melo e do senador Omar Aziz e adversário de Eduardo Braga, aliou-se a este e tornou-se inimigo daqueles. Silas tentou buscar como aliado nas críticas o deputado estadual e ex-prefeito Serafim Corrêa que, tudo indica, fará uma campanha na base do “Sarafa paz e amor”, tendo como objetivo principal dar um majoritário para o filho, Marcelo Serafim, se reeleger vereador. O deputado federal levantou a bola e o estadual devolveu chocha, como aquele pedaço de arquibancada que tira o tesão da “ola”, nos jogos de futebol.

O debate, enfim, foi morno, como todo início de campanha. E isso é um perigo para os candidatos, todos adversários do prefeito, que arrosta uma expressiva rejeição, por conta da exposição aos problemas de Manaus nos quatro anos de governo. O eleitor acaba se perguntando se não se repetirá o “fenômeno Tiririca”, aquele do “pior que tá não fica” que acabou ficando, como se viu na gestão Dilma Rousseff.

A nota mais expressiva da campanha política acabou vindo de fora. O governador José Melo, inaugurando um tal “acelerador nuclear”, anunciado como mais novo aliado no combate ao câncer na Fundação Cecon, falou sobre política. Disse que tem muitos aliados disputando o 1º turno, anunciando todos os candidatos, menos Arthur, e terminando com a frase: “Mas no 2º Turno, me aguardem!”.

Melo continua um mestre do “não discurso”. O principal apoiador dele, entre todos os candidatos, foi o prefeito Arthur Virgílio. Ficaria bem melhor se dissesse: “O Arthur estava comigo, mas preferiu me ter como adversário. Então, paciência, terá que me enfrentar”. Negar o óbvio é tentar enganar o eleitor e destrói a credibilidade de tudo o mais que seja dito.

O governador não está no 1º Turno porque a rejeição dele afundaria o candidato que apoiasse abertamente. O PROS, partido que Melo lidera no Estado, está aliançado formalmente com Marcelo Ramos e este precisa escapar da âncora representada por esse apoio ou arriscará o favoritismo para chegar ao 2º Turno.

A eleição é uma criança. Que vire logo gente grande.

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