Mais 90 UBSs devem ser capacitadas para avaliação neuromotora do pé diabético em 2017

A Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) prevê a expansão da avaliação neuromotora do pé diabético para mais 90 Unidades Básicas de Saúde (UBSs) no ano de 2017. Atualmente, o município de Manaus já conta com 130 UBSs, incluindo Unidades Básicas de Saúde da Família (UBSFs), capacitadas para realizar a avaliação.

O secretário municipal de Saúde, Homero de Miranda Leão Neto, explica que o Pé Diabético é uma das complicações mais frequentes do Diabetes Mellitus (DM), ocasionando desde feridas crônicas e infecções até amputações de membros inferiores.

“O Pé Diabético tem consequências que podem ser dramáticas para a vida do indivíduo, como a amputação dos pés. É causado por uma ferida que não cicatriza e infecciona, tornando-se uma úlcera, o que ocorre por problemas circulatórios quando a glicemia do paciente diabético não está controlada da forma correta. Porém, grande parcela dos casos de amputações de membros inferiores em pessoas com diabetes é evitável, evidenciando a importância da abordagem educativa e do exame periódico dos pés de pacientes que convivem com o diabetes”, explica Homero.

O exame periódico dos pés do paciente diabético propicia a identificação precoce e o tratamento em tempo adequado das alterações encontradas, possibilitando assim a prevenção de um número expressivo de complicações do Pé Diabético. Para realizar esse trabalho, a Semsa capacitou profissionais médicos e enfermeiros de 130 UBSs distribuídas entre os Distritos Sul, Norte, Leste, Oeste e Rural.

“A avaliação sistemática da sensibilidade protetora e da integridade dos pés com vistas a prevenir danos, deve ser realizada anualmente ou conforme Classificação de Wagner (avaliação de grau de risco), em todos os pacientes com diabetes, identificando os fatores de risco para a perda de sensibilidade, úlcera e amputação”, informa a gerente da Rede de Cuidados Crônicos da Semsa, Luana Alpirez.

Após a avaliação, o profissional de saúde estabelece o plano de cuidado para o usuário de acordo com os dados clínicos dos testes realizados. O paciente passa pela avaliação clínica (anamnese); Teste da sensação vibratória utilizando-se diapasão de 128 Hz; Teste de sensibilidade térmica (quente e frio); Teste da sensação dolorosa com ponta de caneta (palito ou pino); Teste de sensação profunda com o martelo neurológico de Buck (pesquisa do reflexo do tendão de Aquiles); Teste de sensibilidade táctil com o monofilamento de 10g (nos dedos e região plantar do pé).

Autocuidado

O principal desafio é conseguir realizar o diagnóstico precoce do pé diabético. “Como se trata de uma doença silenciosa, muitos só procuram tratamento em estágio avançado, quando os sintomas estão mais evidentes. O diagnóstico permite a promoção e a manutenção adequada do autocuidado, com orientações de cuidados simples com os pés para evitar a doença”, afirma Luana.

Os cuidados incluem ações como a inspeção dos calçados, o corte adequado das unhas, higiene e secagem dos dedos, e hidratação. “É fundamental também a manutenção de um bom controle glicêmico, primeiro passo para evitar as complicações em decorrência do diabetes”, lembra a gerente.

Exame

Para o cuidado ao paciente diabético, a Semsa também implantou, em maio de 2016, o exame Doppler vascular em cinco UBSs: UBS Dr. José Rayol dos Santos (zona Sul), UBS Leonor de Freitas (zona Oeste), UBS Alfredo Campos (zona Leste), UBS Áugias Gadelha e UBS Sálvio Belota (zona Norte). E está previsto para 2017 a implantação em mais 20 UBSs.

O Doppler vascular é um exame fundamental, sobretudo, para pessoas com diabetes, fumantes ou com doenças vasculares. É realizado em artérias e/ou nas veias do corpo.

“É um exame não invasivo, indolor, de fácil execução e sem contra-indicações, baseado no método da Ultrassonografia (Ecografia) convencional, associado ao estudo da direção e velocidade do fluxo sanguíneo dentro dos vasos, por meio de softwares de alta tecnologia. O Doppler vascular ou ultrassom vascular utiliza as ondas sonoras para medir e avaliar o fluxo nos vasos sanguíneos. É muito utilizado para avaliar os comprometimentos existentes nas veias ou artérias”, explica Luana Alpirez.

O equipamento é portátil, de baixo custo e pode ser utilizado de modo repetitivo, pois não causa nenhum transtorno ao paciente, podendo ser usado inclusive em mulheres grávidas. Por ser um exame rápido e indolor, não necessita de preparo do paciente, e pode indicar ou excluir o diagnóstico de várias doenças, tanto no sistema venoso (como trombose venosa profunda, insuficiência valvular, insuficiência venosa crônica), quanto no arterial (como obstrução arterial periférica, estenose ou vaso constrição arterial). Com o exame é possível “visualizar” o sistema venoso profundo e superficial do membro em tempo real e com alta eficácia de diagnóstico.

Antes da implantação do Doppler vascular nas UBSs da Semsa, os usuários atendidos na rede municipal e que tinham indicação para realização deste exame precisavam ser agendados pelo Sistema de Regulação (Sisreg) para se submeterem ao procedimento Doppler colorido de vasos.

”O que implicava em ter indicações muito específicas para a sua realização e sua solicitação era feita apenas por meio de algumas especialidades médicas, dificultando o acesso e o diagnóstico precoce, que poderia ser realizado no âmbito da Atenção Primária”, destaca a gerente.

De acordo com a estimativa constante na Linha Guia Municipal de Hipertensão Arterial, Diabetes Mellitus e Doença Renal Crônica, estima-se que 10% dos manauaras adultos (com idade maior ou igual a 20 anos) sejam diabéticos.

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