Aposentadoria ou morte?

Por Augusto Bernardo Cecílio*

Não sei qual a razão de estarem demonizando os servidores públicos, principalmente nas grandes redes nacionais de televisão, através de reportagens tendenciosas ou entrevistas direcionadas com pessoas que só expressam um lado da informação, sem direito a contraponto que possa realmente bem informar a sociedade brasileira. Além disso, propagandas caríssimas do governo na TV e em revistas de circulação nacional tentam jogar a culpa de possíveis desajustes na Previdência para as costas do trabalhador.

Em recentes postagens nas redes sociais, peça atribuída ao PMDB praticava verdadeiro terrorismo, afirmando “Se a Reforma da Previdência não sair, Tchau Bolsa Família, adeus FIES, sem novas estradas, e acabam os programas sociais”. Ora! Se isso foi realmente postado pelo PMDB, é de se lamentar tal grosseria e apelação rasteira, a fim de amedrontar a população, em particular os menos informados. Aliás, faz muito tempo que o PMDB está no poder e não estamos vendo novas estradas e programas sociais de envergadura, além dos paliativos e remendos. E muitos dos seus membros deveriam mesmo é se preocupar com as devastações que virão, via Lava Jato.

É de se lamentar que políticos eleitos pelo povo agora virem as costas, alegando que foram eleitos para nos representar e que podem decidir por nós. É preciso que alguém represente os trabalhadores no momento em que estão ameaçados por uma proposta severa de Reforma, bancada pelos grandes empresários que apoiaram a chegada de Temer ao poder e que agora cobram preço alto com a desgraça de quem certamente jamais se aposentará, visto que as regras são duras e desumanas.

Ainda pior é que sabemos que muitos dos que votarão a favor dessa Reforma estão repletos de acusações e de processos, suspeitas e acusações, que com a lentidão da justiça acabam aproveitando as brechas das leis com tantos recursos. Nomes manjados da política nacional sequer serão julgados e condenados porque muitos processos estão prescrevendo.

Enquanto o núcleo duro do poder está se derretendo – incluindo medalhões já aposentados com pouca idade e muita grana – descobrimos uma lista com as 500 maiores empresas devedoras da Previdência no Brasil, que acumulam uma dívida de R$ 426,07 bilhões, três vezes mais que o atual “suposto rombo” do setor, que seria de R$ 149,7 bilhões em 2016.

uol.com informa que a lista, com mais de 500 nomes, aparecem empresas públicas, privadas, fundações, governos estaduais e prefeituras que devem ao Regime Geral da Previdência Social, segundo levantamento da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, responsável por fazer a cobrança dessas dívidas.

A lista é imensa e inclui Varig, Vasp, Banco do Ceará, Tv Manchete, Caixa Econômica Federal, Bradesco, Banco do Brasil, Itaú Unibanco, Mineradora Vale, JBS da Frigoi, com montantes envolvendo milhões e bilhões de reais. Muitas estão falidas e o dinheiro continua não entrando para recompor o equilíbrio das contas. Fundamental seria a cobrança e o recolhimento desta imensa fortuna, fato que não se torna público pelos que defendem as ideias de Temer.

Essa gigantesca dívida é dinheiro sagrado de aposentados e pensionistas que foi se acumulando ao longo dos anos, gerando débitos inscritos de quase 500 bilhões, cuja recuperação é pequena e lenta. De quem é a culpa? Quem administrava e administra o Brasil, os governantes ou os servidores públicos e demais trabalhadores? É passada a hora de cair a ficha e de se rever as esdrúxulas imposições da atual Reforma, pois as pessoas estão se sentindo enganadas, com regras agressivas e assassinas sendo implantadas.

*Auditor fiscal da Sefaz

Veja também

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Facebook