Uber é assunto prioritário?

Augusto Bernardo Cecílio

Augusto Bernardo Cecílio

Augusto Bernardo Cecílio*

Muito se tem discutido sobre a implantação e regulamentação do aplicativo Uber nas cidades brasileiras. As discussões são acaloradas e invadem as Câmaras de Vereadores, passando por confrontos, agressões, destruição de patrimônios, chegando até à Justiça. Os embates ganharam a mídia, as redes sociais, envolvendo parte da sociedade.

Em reportagem desta segunda-feira li que para viabilizar a implantação da plataforma alternativa de transporte, alunos da Universidade do Estado do Amazonas visitarão faculdades públicas e privadas para recolher assinaturas para enviar à Câmara Municipal de Manaus.

Não sou de ficar em cima do muro, e não me cabe, neste texto, puxar brasa pra sardinha do aplicativo ou dos taxistas, e sim levar ao público uma preocupação acerca de ser ou não prioridade para a população esta discussão, já que temos uma lista de muitos outros problemas extremamente mais sérios e urgentes para resolver.

É difícil estabelecer o Uber como prioridade quando vemos pessoas se amontoando em hospitais, morrendo de câncer, pessoas sendo assassinadas diariamente, jovens se entregando às drogas, treze milhões de desempregados, altíssimas taxas de juros, corrupção desenfreada, sonegação de impostos (que também é crime), pirataria roubando ideias e invenções, e também desempregando sem pagar impostos (que também é crime), contrabando, descaminho e fronteiras abertas para que aqui entre tudo o que não presta (pessoas e produtos).

Claro que na minha lista de prioridades, muito antes de pensar em Uber, estaria o voto consciente e responsável a ser religiosamente praticado em todas as eleições, com escolhas criteriosas dos nossos representantes – de pessoas que honestamente pensassem no coletivo e não no individual, e não nas suas empresas e negócios, ou nos financiadores de suas campanhas eleitorais.

É difícil pensar em Uber quando ainda ouço reclamações sobre deficiência no transporte coletivo, ruas esburacadas (ou ruas recapeadas com muitas ondulações e imperfeições, onde os carros andam de banda), coletivos com motoristas imprudentes que desrespeitam as leis do trânsito e pedestres.

Claro que sabemos que os universitários têm o direito de se manifestar sobre qualquer assunto, mas o que me chama a atenção é a tamanha presteza para algo extremamente particular em detrimento do que é mais urgente para a sociedade.

“Representaremos junto à CMM a vontade da maioria dos manauaras. Como muitas pessoas não tem tempo para estarem nesses lugares reivindicando o direito de ter Uber em Manaus, nós faremos isso por eles. Estamos apenas representando os interesses da população e principalmente dos consumidores”, disse um dos coordenadores do movimento.

Ora! Como são alunos de uma Universidade mantida com verbas públicas, certamente teriam que focar em assuntos mais interessantes que resolvam ou amenizem a agonia da sociedade. Nenhum aluno chamou pra si, por exemplo, a importância de percorrer os demais estabelecimentos de ensino superior alertando sobre a importância de se exigir a Nota Fiscal nas suas compras e serviços, e que graças ao aumento da arrecadação teríamos mais educação, saúde, segurança e saneamento básico.

Qual deles apoiou abertamente a Campanha Nota Fiscal Amazonense nos piores momentos após a implantação, quando ocorreram postagens criminosas e boatos derrubadores nas redes sociais?

Sinceramente, estou muito mais interessado em movimentos que realmente representem a todas as esferas da sociedade, e não só aos abastados financeiramente. Se uma causa defende o morador de Adrianópolis como também o morador das áreas mais pobres de Manaus, estou dentro.

 

*Auditor fiscal da Sefaz.

 

* Auditor fiscal da Sefaz, coordena o Programa de Educação Fiscal no Amazonas.

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