A vergonhosa lista de Fachin

Augusto Bernardo Cecílio

Augusto Bernardo Cecílio

Augusto Bernardo Cecílio*

A chamada lista de Fachin causou um verdadeiro terremoto político no Brasil e sacudiu as estruturas da República. Ministros, senadores, governadores, deputados, prefeitos e muitos poderosos estão encurralados como ratos, todos negando, evidentemente, da mesma forma como a Odebrecht negou por muito tempo o envolvimento, até que abriu o jogo.

Os eleitores que não honraram os seus votos hoje sofrem as consequências juntamente com o resto da sociedade, que atônita toma conhecimento dos detalhes das falcatruas. A esses eleitores o primeiro recado: nenhuma pessoa citada na lista tomou o poder à força. Foram colocados nos mais diferentes cargos através do voto. Logo, a maioria da sociedade é a responsável por chancelar a atuação criminosa desses elementos.

Um segundo recado: com a lentidão do Judiciário, nomes da lista deverão ser julgados primeiro nas urnas, nas eleições de 2018, já que o tempo médio de julgamento do STF nas ações penais contra políticos processados é de cerca de 1.536 dias. Se demorar dessa forma, as pessoas citadas deverão ser condenadas ou inocentadas em 2020. Prazo muito longo que pode levar à prescrição dos crimes e para quem vai continuar atuando nos seus cargos, apagando provas e rastros, ameaçando testemunhas e arquitetando em grupo uma possível salvação coletiva.

Segundo a Folha de São Paulo, Temer, Lula e FHC (citados nas delações dos executivos da Odebrecht por recebimento de dinheiro de forma indevida) articulam pacto por sobrevivência política em 2018. O objetivo é salvar a classe política, fragilizada pelo avanço das investigações da vitoriosa Operação Lava Jato.

Neste momento a sociedade já não sabe por quem o Brasil é governado. Salta aos olhos o cinismo nojento de Emílio e Marcelo Odebrecht, donos da empresa que ajudou a jogar o Brasil na lama, quando narram detalhes sórdidos dos acordos milionários com a maior naturalidade, sorrindo como se estivessem nos chamando de abestados, sugerindo que o assalto foi realizado por cerca de 30 anos.

No fundo eles têm razão. Eles riem desse povo que tem sofrido todos esses anos com inflação, altas taxas de juros, carga tributária elevada para o retorno que temos em serviços públicos colocados à nossa disposição, desemprego, violência, tendo que pagar vigilância particular, plano de saúde e escola particular em busca de uma vida decente para as nossas famílias, enquanto que acordos,  totalizando cerca de R$ 10 bilhões, foram arrancados de nós somente entre 2006 e 2014. Isso só de uma empresa.

Planilha mostra que a cada ano os valores surrupiados aumentavam sem o menor pudor, enquanto que os salários dos brasileiros passam anos sem reajustes e sequer a tabela do Imposto de Rendas é reajustada, obrigando a pagar mais impostos para que se paguem obras superfaturadas, já incluindo aí as propinas milionárias a políticos, partidos políticos e caciques que dominam a política brasileira.

Caciques que se reelegem como se fossem grandes líderes regionais, quando na verdade compraram as suas eleições a peso do sangue e suor do povo sofrido, além da covardia praticada nos pleitos eleitorais, quando levam imensa vantagem sobre os candidatos que não possuem recursos para bancar suas campanhas.

A facilidade com que esses políticos criminosos compram o poder e são comprados pelas grandes empresas promove a concorrência desleal contra os políticos de bem, o que custou muito caro ao Brasil e que leva a riqueza, a vida de luxo e o poder a uma minoria, em detrimento da miséria que se espalha por todos os estados brasileiros.

 

*Auditor fiscal da Sefaz

* Auditor fiscal da Sefaz, coordena o Programa de Educação Fiscal no Amazonas.

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