Papa Francisco canoniza irmãos pastorinhos em Fátima

Papa Francisco cananizou pastorinhos durante visita ao Santuário de Fátima. Foto: EFE/EPA/Paulo Novais

Estadão

Os pastorinhos Jacinta e Francisco Marto viraram santos às 10h27 (6h27 no Brasil) deste sábado, 13, quando o papa Francisco leu a fórmula de canonização no início de missa campal na praça do Santuário de Fátima, na comemoração do centenário das aparições de Nossa Senhora do Rosário, em 13 de maio de 1917.

Mais de 400 mil peregrinos, que acompanharam a cerimônia de três horas de duração em piedoso silêncio, aplaudiram, levantando lenços e bandeiras, sob sol quente e céu nublado. Eles vieram de 55 países e 45 mil caminharam a pé em uma peregrinação de vários dias. O bispo de Leiria e Fátima, d. Antônio Marto, parente de Jacinta e Francisco e de sua prima Lúcia, a terceira vidente, leu uma breve biografia dos pastorinhos e pediu que fossem canonizados, tudo dentro do ritual da Congregação para as Causas dos Santos.

Durante a homilia, o papa Francisco disse que “Fátima é um manto de luz que se abre, quando nos refugiamos sob a proteção da Virgem Mãe”. Agradeceu a Deus as graças concedidas por intercessão de Maria nesses cem anos e rezou pelos pobres e necessitados do mundo todo, pedindo para que, com um novo rosto, a Igreja seja acolhedora e missionária, principalmente para os desamparados. A homilia, lida em português, durou 15 minutos.

Brasileiro

O menino brasileiro Lucas, de 9 anos, subiu ao altar de Fátima na hora do ofertório para se apresentar ao papa como beneficiário do milagre aprovado para a canonização dos pastorinhos. A televisão que transmitia a cerimônia mal mostrou o seu rosto. Lucas estava acompanhado pelos pais, João Batista e Lucila, por sua irmã Eduarda e pela postuladora da causa de canonização, Angela Coelho.

Um narrador informou que ele foi curado em poucos dias, após ter caído de uma altura de quase 7 metros em Juranda, a 69 km de Campo Mourão, no Paraná, em 3 de março de 2013. Entrou em coma e perdeu parte da massa cefálica. Os médicos disseram que ele tinha mínimas chances de sobrevivência. Saiu curado da UTI e sem sequelas, depois de os pais terem rezado aos pastorinhos.

As três crianças pelas quais até o sol ‘dançou’

Os três videntes de Fátima eram crianças pobres e analfabetas. Lúcia dos Santos, 10, e seus primos Francisco Marto, de 9 anos, e Jacinta Marto, de 7 anos, que eram irmãos, cuidavam de um pequeno rebanho de ovelhas da família quando receberam a missão de ouvir e divulgar a mensagem de Nossa Senhora de Fátima.

Tudo começou em 1916, quando um anjo apareceu para os três na primavera, no verão e no outono e pediu que rezassem o terço diariamente e fizessem sacrifícios – tema constante das aparições do ano seguinte.

A série de seis aparições de Nossa Senhora começou em 13 de maio de 1917, na Cova da Iria. Na ocasião, foi pedido às crianças que rezassem o terço para que a 1ª Guerra Mundial acabasse e o mundo vivesse em paz.

Depois que Jacinto falou sobre a primeira aparição, um grupo de cerca de 50 pessoas acompanhou as crianças, em 13 de junho. Nossa Senhora disse aos videntes que Francisco e Jacinta morreriam cedo e Lúcia viveria muitos anos para divulgar a devoção a seu Imaculado Coração.

E foi o que aconteceu. Vítimas de broncopneumonia, Francisco morreu em 4 de abril de 1919 e Jacinta, em 20 de fevereiro de 1920. Lúcia viveu até 13 de fevereiro de 2005 e morreu no Carmelo de Coimbra.

Com exceção da aparição de agosto – quando os videntes foram levados para Ourém, onde foram interrogados e presos na cadeia da cidade, para que revelassem que mensagens recebiam – todas ocorreram em um dia 13. A de agosto, por causa da prisão, aconteceu no dia 19.

Em 13 de outubro, como se havia anunciado na aparição de julho, os pastorinhos viram no céu uma série de imagens. Houve também o Milagre do Sol – o acontecimento tido como o mais extraordinário de Nossa Senhora. De acordo com relatos de milhares de testemunhas, o Sol apareceu como um disco opaco girando no céu, quando as nuvens se dissiparam após uma chuva torrencial. O fenômeno durou aproximadamente dez minutos e foi aceito como milagre pela Igreja Católica em 1930.

Irmã Maria Lúcia

Lúcia, que no Carmelo de Coimbra tomou o nome religioso de Irmã Maria Lúcia de Jesus e do Coração Imaculado, escreveu em 1922 um primeiro relato sobre as aparições, seguido de mais cinco até março de 1993. Seu processo de beatificação já está na Congregação para as Causas dos Santos. O Vaticano considerou que os videntes tiveram vida heroica e sempre gozaram de fama de santidade entre os católicos – duas condições necessárias para a canonização.

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