Fundamentos Reflexivos para a Eleição de Governador do Amazonas – 2017

Prof. Dr. Pe. Manuel do Carmo da Silva Campos*

No domingo dia 06 de agosto de 2017 teremos novas eleições no Amazonas e vale apenas fazermos algumas reflexões quanto ao interesse de pessoas competirem para se tornar governador de um dos estados importante da Amazônia Brasileira.

Um desses dias que fui ao meu pequeno barco na Aparecida indagando a um juiz aposentado que reside naquela área, antigo dono de um ponto comercial, já fechado, se ele recebia o mesmo salário que o juiz da ativa. Ele respondeu R$ 32.000,00 (trinta e dois mil reais), mas os impostos ficam com aproximadamente R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Engraçado, pelas informações que sei sobre esse magistrado aposentado, não é possuidor de riquezas de grande escala. Há muito tempo fico me questionando os cofres públicos são tremendamente cobiçados, atacados e assaltados por políticos aventureiros do dinheiro de nossos impostos tomando para si enriquecem, na promessa de melhorar a cidade, o estado. Ao contrário do funcionário público de grande escalão salarial referido, não enriqueceu.

Se você leitor observar funcionários públicos de careira, sérios que viveram de seu soldo, mesmo que sejam um dos mais altos cargos do país como é o caso do juiz referido, não enriqueceram. Porém, esses aventureiros caçadores do bem público, ficaram ricos de uma hora para outra. Realidade de muitos prefeitos e governadores de diversas cidades e estados de nosso país. No Amazonas essa situação vem se prolongando. Nosso estado é um dos muitos que existem inúmeros políticos ricos. Vai de simples estudante de direito que veio do interior, se tornou advogado, mas nunca exerceu a profissão. Hoje segundo os comentários das esquinas das ruas, um dos mais bem sucedidos empresário, seu negócio vai desde dono de porto de embarque e desembarque de mercadorias, supermercados espalhados pela cidade de Manaus e por outros estados, rádio e até acionista maior de empresas de educação superior. Além de possuir Hotel nos Estados Unidos. Tudo isso com os salários de governador, senador, vereador e prefeito que já desempenhou. Segundo processo que corre na justiça impetrado pelo ministério público do estado, não se sabe o que fez com uma soma que ultrapassa os duzentos milhões de reais em parte gastos com a implantação das famosas corujinhas que se foram. Um dos grandes feitos para o seu mundo empresarial em uma de suas últimas gestões públicas foi a expansão de três novos supermercados dois na cidade de Manaus e um até em Porto Velho no estado de Rondônia. Isso sem falar em outros políticos que estão na mira da Operação Lava-Jato acusados de terem embolsado o montante que varia entre 20 a 30 milhões de reais.

O retrato real que a Operação Lava Jata, até acusada de perseguir a Frente Brasil Popular, vem ilustrando, isso devido o empenho dos Governos da Frente Brasil Popular que investiu e deu certa autonomia, que antes não havia para o trabalho da Polícia Federal, do Ministério Público e parte do Judiciário com a colaboração dos meios de comunicação social e das tecnologias e mídias. É o espelho que está ilustrando o que a velha política vinha fazendo com o bem público de nosso país há velhas décadas para não se falar em séculos. Por isso o Brasil está mudando para melhor. Isso não quer dizer que possa haver diversas acusações e provas comprometedoras, não evidentes. Mas isso não tira o brilho do trabalho e que deve continuar. Há necessidade de o Brasil ser passado a limpo.

O erro de certos integrantes de determinados partidos integrantes da Frente Brasil Popular, foi fazer o jogo sujo e se mancomunar com esses políticos e politicagem de baixaria que vinham operando no país. Isso comprometeu o programa sério de muito desses partidos ludibriando a parcela de eleitores de que tais partidos não prestam. Se for por isso uma das mais respeitadas instituições do mundo a Igreja Católica perderia seu brilho na construção do Reino de Deus pelo pecado de alguns de seus integrantes e até de grande escalão, mas o Papa Francisco veio e está colocando linha evangélica e cristã para que ela retome o caminho de seu fundado Nosso Senhor Jesus Cristo. Mas olhando do ponto filosófico, foi com a filosofia, Sócrates, Platão e Aristóteles que surgiu o Estado e a Política na Grécia Antiga exatamente devido aos maus feitos dos tiranos que em nome das divindades e suas ideologias governavam a bem próprio de si e dos seus. Com esses filósofos pela primeira vez se pensou no Estado e Política, a vida na cidade numa perspectiva de bem comum, mesmo que os escravos não fizessem parte. Haja vista que essas pessoas tinham a concessão de permanecer trabalhando para os cidadãos livres, uma vez que era vencido de guerra, isso foi um passo que a humanidade deu, pois anteriormente os vencidos de guerra deveriam ser eliminados para não se tornar peso para os conquistadores. Tanto é que Josué na conquista da cidade de Jericó matou todos os habitantes da cidade. Eram escravos e permaneciam as pessoas compradas, veja o caso da novela de José do Egito e, também, os que eram entregues por pagamento de dívidas. Vendo essa exceção, o Estado e a Política iniciada na Grécia vislumbrava justiça, ética e convivência pública pensando no bem comum. Por isso que Platão vai entender em seu livro denominado República que os governantes não devem ter nada além do que o seu salário, isso, também, para os soldados ou sentinelas que guardam a cidade, pois são funcionários públicos que exercem suas atividades pensando no bem público. Para esse filósofo apenas os comerciantes, camponeses, artesãos artífices podem possuir bens e coisas, devido terem a tarefas de produzir, abastecer, construir etc., a cidade até porque não conseguiram entrar na escola da cidadania que lhes preparasse para serem governantes e guardiões e assim o seu papel era executar essas funções referidas. Claro que essas formatações foram evoluindo ao longo dos séculos para se chegar ao debate sobre o Estado, a coisa pública (república) e Política (vida na cidade) nos moldes do que dizem os estudiosos na atualidade.

É interessante fazer esse recorte como um alerta para o desenho que operacionalizaram em sua raiz fundantes do Estado esses filósofos estudiosos dessa questão. Jamais pensaram que o papel dos gestores da coisa pública fosse a geri-la em benefício própria pelo contrário pensando no bem de todos não na intencionalidade, mas na realidade e experiências da vida na cidade (ARISTÓTELES. Política, Ediouro: São Paulo, 2010). Amigos (as) votem, escolham bem nossos representantes neste domingo pensando um pouco a partir destes fundamentos.

 

Filósofo e Teólogo*

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