Juiz amazonense, conhecido por decisões céleres e duras, determina prisão de Geddel e mais buscas

Pedido de prisão de Geddel foi assinado pelo juiz federal amazonense Vallisney Oliveira, que transformou Lula em réu pela terceira vez ano passado. Foto: Divulgação

O ex-ministro Geddel Vieira Lima voltou a ser preso, na manhã desta sexta-feira (8), em Salvador, três dias após a Polícia Federal encontrar mais de R$ 51 milhões, atribuídos a ele, em um apartamento. Suas digitais estavam nas notas de dinheiro.

O pedido de prisão de Geddel argumenta a necessidade de medidas para evitar “a destruição de elementos de provas imprescindíveis à elucidação dos fatos”. Após a solicitação, o juiz federal amazonense Vallisney Oliveira, 52, da 10ª Vara Federal em Brasília, autorizou o cumprimento dos mandados, para recolher provas de crimes como corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Duas viaturas da PF estiveram no condomínio residencial onde Geddel cumpria prisão domiciliar, no Bairro da Barra, região nobre da capital baiana. A prisão ocorreu pouco antes das 7h. O ex-ministro Geddel Vieira Lima foi encaminhado para o aeroporto de Salvador, de onde viaja a Brasília e ficará à disposição da Justiça.

Segundo Vallisney de Souza Oliveira que autorizou a operação, apesar de constar nos autos que o apartamento pertence a Silvio Silveira, este teria supostamente cedido a Geddel para que guardasse pertences do seu falecido Pai. O magistrado, formado na Universidade Federal do Amazonas (Ufam), aponta que o local era utilizado pelo político baiano “de forma velada para guardar objetos/documentos, o que, em face das circunstâncias que envolvem os fatos investigados (vultosos valores, delitos de lavagem de dinheiro, corrupção, organização criminosa e participação de agentes públicos influentes e poderosos), precisa ser apurado com urgência”.

Discreto e com 25 anos de carreira na Justiça Federal, Vallisney é avesso a entrevistas, conciso e duro nas suas decisões. Em 2016, ele foi responsável por transformar o ex-presidente Lula réu pela terceira vez, sob acusação de ter beneficiado a Odebrecht com empréstimos do BNDES em troca da contratação da empresa de um sobrinho. Natural de Benjamin Constant (a 1.577 quilômetros de Manaus), o juiz levou três dias para aceitar a denúncia do Ministério Público. Ele é célere em seus despachos e tem a mão pesada na área penal.

Em seu discurso de despedida da Justiça Federal do Amazonas, onde atuou 14 anos antes de ir para Brasília, Vallisney declarou que “não pretendo ser nunca mencionado como o justiceiro ou vingador do povo ou cavaleiro que ganha todas as batalhas ou que nunca erra”. Mas até o momento, o juiz tem sido. No Estado, ele foi fiscal de tributos estaduais (1981-1988), promotor de Justiça em Manaus (1988-1992) e procurador da República no Espírito Santo (1992), antes de se tornar juiz federal, aos 27 anos, em 1992.

Sua trajetória no Judiciário é ligada à área criminal, tendo atuado ainda em tribunais de júri para julgamentos de homicídios e ficou um tempo cedido ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) para auxiliar na tramitação de processos que investigavam autoridades com foro privilegiado. Ele tem livros publicados pela Universidade de Brasília (UnB).

Avesso a entrevistas e discreto, juiz Vallisney disse que “não pretendo ser nunca mencionado como o justiceiro ou vingador do povo ou cavaleiro que ganha todas as batalhas ou que nunca erra”

Salvador

O Ministério Público Federal (MPF) faz parte da força-tarefa denominada Greenfield, que cumpre dois mandados de prisão preventiva e três de busca e apreensão. Todos ocorrem em Salvador e fazem parte de mais uma fase da Operação Cui Bono, que investiga desvios de recursos em vice-presidências na Caixa Econômica Federal. O MPF não detalhou os nomes e endereços dos mandados.

Na última terça-feira (5), a Polícia Federal apreendeu malas e caixas de dinheiro, em um apartamento na Graça, em Salvador. O proprietário, Sílvio Silveira, confirmou em depoimento, que emprestou o imóvel a Geddel, que teria pedido para guardar pertences do pai, que morreu no ano passado. Até a manhã de hoje, Geddel cumpria prisão domiciliar.

Operação Cui Bono

A primeira fase da Operação Cui Bono foi deflagrada pela PF em 13 de janeiro deste ano e investigou esquema de fraude na liberação de créditos da Caixa Econômica Federal no período entre 2011 e 2013. De acordo com a investigação,  entre março de 2011 e dezembro de 2013, a vice-presidência de Pessoa Jurídica da instituição era ocupada por Geddel Vieira Lima.

A investigação da Operação Cui Bono – expressão latina que em português significa “a quem beneficia?” – é um desdobramento da Operação Catilinárias, deflagrada em dezembro de 2015, no âmbito da Operação Lava Jato, quando policiais federais encontraram um telefone celular na residência do então presidente da Câmara dos Deputados, o ex-deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que revelou intensa troca de mensagens eletrônicas entre Cunha e Geddel. A operação tinha a finalidade de evitar que provas importantes fossem destruídas por investigados da Lava Jato.

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