Morre Clezildo Barros, o ‘mago’ da TV que colocou o Festival de Parintins na Rede Globo

Clesildo (de amarelo) gostava disso: uma cervejinha com os amigos mais próximos. Era amigo de influentes e endinheirados, mas preferia os bares mais simples para confraternizar

O Festival de Parintins é hoje uma festa glamorosa, cara, que atrai público internacional e encanta a mídia. Nem sempre foi assim. No começo da década de 1980, o jornalista Clezildo Barros, prestigiado diretor da TV Ajuricaba, foi decisivo para introduzir o evento na TV Globo. Nesta segunda (18/09), o generoso coração dele parou de bater.

O então prefeito de Parintins Raimundo Reis queria porque queria uma inserção dos bumbás parintinenses na Globo. A cidade estava nos primeiros meses de sinal de TV e os raros aparelhos que existiam na ilha eram colocados nas janelas das salas… virados para fora. A plateia era, literalmente, comunitária.

Reis intuia que o povo queria se ver na TV. Foi aí que entrou Clezildo Barros.

O diretor da Ajuricaba, retransmissora da TV Globo, vivia recebendo repórteres e diretores da emissora em Manaus. Ele se tornou amigo de um gentleman, um cara cuja história um dia precisa ser contada em detalhes, João Baptista de Freitas, por muitos anos correspondente do Jornal do Brasil, o JB, no Amazonas.

João Baptista, um cara cuja modéstia e paciência eram bem acima da média, é irmão de José Itamar de Freitas, na época o poderoso diretor do Fantástico.

Clezildo falou com João Baptista, este com José Itamar e logo estava tudo afinado para exibir o Festival Folclórico no Fantástico.

José Itamar fez mais. Promoveu uma reportagem longa no Jornal Nacional, à guisa de “chamada” para o Fantástico. Muita gente ainda lembra da introdução lida no teleprompter pelo apresentador Celso Freitas: “Carnaval fora de época na Amazônia. É na ilha de Parrantan, no Amazonas”.

Até hoje ninguém sabe como a pavulagem parintinense, que trata a cidade como “Paris”, chegou à pronúncia do nome da cidade pelo apresentador do telejornal de maior audiência do País. Mas estava lá, em rede nacional.

Este blogueiro acompanhou o prefeito Reis, nos estúdios da TV Ajuricaba, quando Clezildo editava a matéria que iria para o Fantástico. Reis levou as fotos, coloridas, para completar o material. Delas Clezildo fez os inserts para preencher buracos da cobertura.

A filmagem original tinha um câmera só, o Jorge Ferraz. Embora o trabalho dele fosse sempre de alta qualidade, uma andorinha só não faz verão – Jorge chegou a dar cursos para os demais cinegrafistas da Globo.

O Festival de Parintins, depois do Jornal Nacional, teve amplo destaque também no Fantástico.

O reflexo foi visto nos anos seguintes. O prefeito Gláucio Gonçalves teve que improvisar um bumbódromo de madeira (1986-1987) e o governador Amazonino Mendes construiu o bumbódromo de alvenaria (1.988).

Lá no lead, em cima, está escrito que o “generoso” coração de Clezildo parou de bater nesta segunda (18/09).

Generoso sim. (O leitor vai entender que preciso escrever o parágrafo seguinte na primeira pessoa).

Clezildo sempre foi uma valiosa ajuda, quando Hermengarda Junqueira me levou para a TV Ajuricaba. Eu não sabia quase nada de TV. Ele cuidava, nos bastidores, para evitar minhas mancadas.

Quando fui secretário de Comunicação, a primeira vez, lá estava ele, ajudando, montando equipes, estruturando o trabalho.

Agora, a última vez que fiquei desempregado, Clezildo foi o primeiro a ligar oferecendo ajuda. E foi na minha casa levar um telefone de lapela, que ajudou (muito) a melhorar o som dos vídeos que fiz nesse período.

Aí virei secretário novamente. Clezildo sumiu. Quando foi me procurar foi para interceder por um vereador.

É esse cara talentoso, cheio de histórias, amigo dos amigos e que cultivou companheiros fieis – que hoje devem estar arrasados -, o dono do coração generoso que parou de funcionar.

A Câmara de Parintins deveria fazer uma homenagem póstuma a Clezildo, levando a família para acompanhar. A Câmara de Manaus, onde ele trabalhou durante anos, certamente o homenageará. É justo. O cara era correto.

Vá em paz, Clezildo, amigo.

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