Morte de esportista britânica mostra uma chaga que vem aumentando nos rios da Amazônia

Os rios da Amazônia, pela imensidão e mistérios, oferecem o cenário ideal para quem gosta de aventura e ama a solidão. O clima paradisíaco, porém, esbarra na dura realidade brasileira e a insegurança rouba os sonhos dos navegantes de todas as latitudes. A morte da britânica Emma Kelty, de 43 anos, deita uma chaga nos planos de transformar as águas amazonenses em um corredor de desafio homem-natureza.

Não são jacarés, infelizmente, nem piranhas ou cobras-grandes os maiores predadores desses rios, principalmente o Solimões. Eles estão infestados de barrigas-d’água e traficantes, uns dispostos a roubar tudo que lhes aparecer pela frente e outros preparados para oferecer a vida na defesa dos carregamentos de cocaína e maconha dos chefões.

Um dos maiores custos do transporte fluvial de mercadorias do Polo Industrial de Manaus (PIM) está justamente na segurança armada. Há balsas que saem com bilhões de Manaus e justificam o investimento. Elas circulam pelo Baixo Amazonas, rumo a Belém, ou pelo rio Madeira, com destino a Porto Velho.

O Solimões é a calha de ligação dos grandes produtores de maconha e cocaína aos mercados consumidores, com Manaus figurando cada vez mais nesse mapa.

No rio Negro, onde não ocorre o transporte da carga mais valiosa, a da Zona Franca, os proprietários de iates de luxo de Manaus não saem sem segurança armada.

É necessário dar atenção a isso. As calhas dos rios precisam ser vigiadas de forma mais sistemática e os navegantes necessitam de apoio a tempo e a hora para combater esses malfeitores. Eles só sossegarão se não tiverem trégua.

Cadê um sistema de comunicação eficiente, que funcione ao longo do rio e esteja ligado 24 horas com uma versão fluvial de “guarda costeira”? Onde estão as bases físicas onde os práticos troquem sinais para indicar que vai tudo bem na viagem? E o patrulhamento das águas?

A ação da Polícia Civil do Amazonas mostrou eficiência na apuração da morte da aventureira britânica. Isso é um ponto positivo para a segurança do Amazonas, aos olhos da comunidade internacional. O problema é que não há o que fazer diante do fato consumado. Ela morreu.

Os problemas se repetem nos Estados vizinhos, numa clara demonstração de que o Amazonas não está só na obrigação de agir. Nem todos os Estados nortistas reunidos. O problema é nacional. O Governo Federal não pode imaginar que sua participação se resuma a uma nota do Itamaraty, registrando o ocorrido e mandando condolências à família da vítima. E o resto? E os outros?

Emma Kelty sabia dos riscos. Jogava com eles, como fica claro nas mensagens de Twitter que ela enviou a caminho do fim, para tornar a aventura ainda mais interessante. O problema é que empreitadas como as dela só valem a pena quando têm final feliz.

Balsas que viajam com carga pelos rios da Amazônia levam segurança especial

Não morreu uma britânica. Morreu mais um ser humano, vítima do perigo em que se transformaram os rios da Amazônia. Os mesmos que, paradisíacos, pródigos em alimentos, são a fonte de vida dos amazônidas.

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Um comentário para “Morte de esportista britânica mostra uma chaga que vem aumentando nos rios da Amazônia

  1. Helem disse:

    Isso é uma vergonha….pra nós onde Manaus não estar diferentes dos outros país a fora,de muita violência,😡o nosso Amazonas está cheio de gente perigosa e parece um bando de urubus que não podem ver carnes brancas,

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